MANIFESTANTES PARTICIPAM DO ATO EM SOLIDARIEDADE E DESAPROPRIAÇÃO DO PINHEIRINHO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A mobilização de ontem nas ruas e praças de São José de Campos em
solidariedade aos moradores do Pinheirinho, que foram expulsos e retirados a força
depois de terem seu local de moradia invadido por policiais militares armados e
agindo por ordem judicial assinada pela juíza Márcia Loureiro do TJ de SP; o governador
do Estado, Geraldo Alckmin, que com essa decisão puseram-se diretamente a
serviço do principal interessado o notório especulador Naj Nahas, acusado de
lavagem de dinheiro entre outros crimes financeiros, sem dúvida, já pode ser
considerado um marco na história de lutas dos trabalhadores do país.
Povo brasileiro, que também já tem um
histórico de resistências contra ofensivas dessa natureza. Desde as lutas
nativas à contemporânea luta contra a ditadura burguesa-militar.
O crescimento do proletariado urbano impulsionando
o desenvolvimento da economia do país, modernizando os modos de produção do
Vale do Paraíba exige uma equivalência nas relações de classes, que naquela
região, velho reduto de senhores de feudos escravistas desde quando sediou a
famosa “Convenção de Taubaté” que os dividiram em “conservadores e liberais”,
mas que sempre permaneceram unidos na defesa de seus negócios e interesses, ainda
resistem utilizando quando julgam necessárias a mesma truculência e violência,
que utilizaram em outros tempos contra seus subordinados, a classe produtiva.
Da capital São Paulo aos mares do Litoral
Norte do Estado, onde cruza o Trópico de Capricórnio, de tudo se produz.
Matérias primas, alimentos, oxigênio, a maior diversidade biológica do planeta
está no que resta da Mata Atlântica, automóveis, aviões, portos e agora o
pré-sal, que vai levar o desenvolvimento da indústria naval abrindo novos
campos de trabalho na região e perspectivas ao país. As disputas se acirram e os novos contornos da
luta de classes definem a nova realidade emergente.
A
justiça deve se adequar, atualizar-se tecno e ideologicamente, os modos truculentos
de ação da polícia terão de ser revistos, as políticas de direitos humanos devem se antecipar as tragédias anunciadas agindo
de modo preventivo impedindo ações descabidas como a que ocorreu nessa desastrada
“reintegração de posse”, no final executada em benefício de um bandido
reconhecido por toda a justiça do país e a paulista não pode alegar ignorância e ser comandada desta forma, em
plena era da informação. Neste caso, TJ, governo, prefeito e a polícia foram
contra a realidade, a verdade, a história, encastelada em seus próprios
interesses em choque com os da sociedade. A única saída honrosa para a justiça depois
de expor a região e o país ao vexame é voltar atrás nessa decisão anacrônica, desapropriar
o terreno e entregar aos seus verdadeiros e legítimos donos, os moradores do
Pinheirinho e a polícia atende-los no que eles consideram necessários.
A política deve ser transformada de alto a
baixo, de cabo a rabo para atender o mínimo das necessidades básicas da
população trabalhadora, que emerge neste novo Vale, que em sua mobilização de
ontem demonstrou-se capaz de reagir e responder à barbárie decorrente de uma
velha ordem corroída por dentro que para se manter tem de opor-se forças
improdutivas, dependentes, contrativas, retrógradas, criminosas a forças vivas
produtivas, ascendentes, solidárias, expansivas e transformadoras da realidade social.
A principal lição que nos deixa a
mobilização de ontem neste dois de fevereiro em São José dos Campos é a de que,
novos outubros virão.
THAELMAN CARLOS
Jornalista e poeta Editor da revista ANGU Arte, Poesia
& Kontrakultura
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